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Medo de fraude faz 38% das PMEs adiarem novos meios de pagamento

· 3 min de leitura · Redação Confi

Dona de uma pequena loja de roupas olha o celular com ar pensativo, apoiada no balcão, com araras ao fundo
Imagem ilustrativa gerada por IA.

Todo pequeno empresário conhece o frio na barriga de ver um pedido alto demais vindo de um cliente que nunca comprou antes. Um estudo da Mastercard, divulgado pelo E-Commerce Brasil em 19 de outubro, mostra que esse receio tem efeito concreto no caixa: 38% das pequenas e médias empresas brasileiras ouvidas adiaram a adoção de novos meios de pagamento nos últimos 12 meses por medo de fraude.

A pesquisa, chamada 2026 SME Cybersecurity Outlook, foi feita em parceria com a Payments and Commerce Market Intelligence (PCMI) no segundo trimestre de 2026. Foram ouvidos 2.400 donos e decisores de PMEs em 12 países da América Latina e do Caribe, sendo 200 no Brasil, com margem de erro de 6,9 pontos percentuais.

O que os números do Brasil mostram

  • Todas as 200 empresas ouvidas aceitam pagamentos digitais, e 82% fazem mais da metade das vendas sem dinheiro vivo
  • 57% apontam o medo de fraude ou de ataques cibernéticos como uma das principais barreiras para ampliar os pagamentos digitais
  • 55% citam as taxas altas por transação como obstáculo
  • 33% dizem que a preocupação com ameaças reduziu ou interrompeu o uso de ferramentas digitais
  • 28% adiaram a expansão para outras regiões nos últimos 12 meses
  • 44% têm um plano formal de resposta a incidentes, e 30% não têm plano nenhum

Ao mesmo tempo, o otimismo segue alto. Oito em cada dez esperam crescimento de dois dígitos, e 30% projetam alta acima de 50%. Além disso, 91% concordam que segurança digital é vantagem competitiva, e 98% acreditam que o cliente prefere empresas que protegem bem os seus dados.

Segurança virou assunto de negócio

A segurança cibernética deixou de ser apenas uma questão de tecnologia.

Ana Lucía Magliano, vice-presidente executiva de Serviços da Mastercard América Latina e Caribe

Na região como um todo, o retrato se repete. Cerca de 4 em cada 10 empresas reduziram ou pararam de usar ferramentas ou pagamentos digitais por medo de ataques, e quase um terço adiou a expansão do e-commerce ou a entrada em novos mercados. Outro dado chama atenção: 93% dizem conhecer medidas de proteção, mas só 18% se sentem muito confiantes na própria capacidade de se defender.

Na prática, o pequeno lojista acaba se protegendo da fraude deixando de vender. Às vezes é uma forma de pagamento que o cliente queria e a loja não oferece, às vezes é a expansão para outro estado que fica para depois. Esse prejuízo não aparece no extrato como golpe, mas aparece como venda que não aconteceu, o que é bem mais difícil de medir.

A boa notícia é que o caminho passa por coisas conhecidas. Só de ter um plano formal para quando algo der errado, a empresa já entra num grupo que, pela pesquisa, ainda é minoria no Brasil. Revisar quem tem acesso a quê e escolher parceiros de pagamento com boas ferramentas de proteção completam o básico.

Fontes

  • fraude
  • pagamentos
  • PMEs
  • segurança digital

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